Objectivos
O X Encontro da Sociedade Portuguesa de Psicoterapias Breve tem por objectivos a confirmação e o reforço da identidade de um modelo de intervenção psicoterapêutica, cuja eficácia, rapidez e consistência interna têm respondido por si ao longo dos últimos anos e o que neste momento exige que se reconheça e se reactualize o significativo tributo Sándor Ferenczi.
Aproximadamente desde 1997 que a SPPB, partindo como metateoria da hermenêutica de Paul Ricoeur, tem desenvolvido, divulgado e investigado o Modelo Integrado de Psicoterapia Breve, que se fundamenta no quadro de referência teórico psicanalítico – como modelo explicativo ou chave hermenêutica – e na perspectiva Fenomenológico Existencial – como método, postura ou explanação do vivido no “domínio” da compreensão do outro.
Na actualidade, comprovada a evolução necessária, reflecte-se sobre dimensões da clínica onde o retorno aos fundamentos psicanalíticos, se constituem como revalidação das contribuições de Ferenczi para esta intervenção psicoterapêutica, no que respeita a importância:
- Da relação terapêutica – transferência, contra transferência e co transferência;
- Do significado do vivido nas relações;
- Da compreensão terapêutica em detrimento da explicação interpretativa;
- Da inovação criada ao conceptualizar a adaptação do terapeuta ao cliente de modo a responder às suas necessidades para a cura;
- Da forma como actualiza a teoria da sexualidade ao salientar as fases pré genitais e a possibilidade de intervenção psicoterapêutica nas mesmas;
- Das diferenças de linguagem entre o adulto e a criança;
- Do interpessoal para além do intrapsíquico no desenvolvimento psicoafectivo e na intervenção psicoterapêutica
A importância, assim, no cuidado com a psicoterapia, a supervisão e a formação teórica dos psicoterapeutas
Programa
Resumo das Comunicações
CONFERÊNCIA INAUGURAL
“A Introjecção como uma Teoria de Linguagem e as Narrativas”
Pinheiro, T. *
A conferência visa apresentar o conceito de introjecção de Sándor Ferenczi como inspiração para uma moderna teoria de linguagem, capaz de nos ajudar no trabalho da clínica contemporânea.
Serão discutidos os seguintes temas: as duas teorias de linguagem indicadas na obra de Freud: uma trabalhada nos textos da metapsicologia e outra expressa na teoria da clínica; o conceito de introjecção elaborado por Ferenczi em 1909 toma o objecto como portador de sentido e como processo de constituição da subjectividade indicando uma teoria da linguagem que prescinde do conceito de representação; os modos de constituição subjectiva propostos por Freud e Ferenczi e a teoria do trauma permitem uma leitura que pode auxiliar na compreensão das narrativas dos pacientes da clínica contemporânea.
(*) Psicanalista e Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro
MESA REDONDA “A IDENTIDADE DO MODELO”
“Identidade e Limites do Aconselhamento“
Morais, A.*
Merleau-Ponty, M., Fenomenologia da Percepção
“…, o horizonte é aquilo que assegura
a identidade do objecto no decorrer da exploração …
Na sequência da aplicação prática, da descrição e da fundamentação teórica realizadas noutros contextos, a presente comunicação procura definir com maior acuidade e detalhe, a identidade e os limites do Aconselhamento Breve Focal Integrado.
Inicia-se com uma breve referência às origens, definições e progresso do Aconselhamento; prossegue-se com a descrição da metodologia prática e da utilidade dos quadros de referência teóricos do modelo actualmente desenvolvido e no final – recorrendo-se da reflexão crítica sobre dimensões clínicas e sobre a supervisão de determinados casos – salienta-se o que se refere aos limites impostos pelos horizontes, os pedidos, o foco e sobretudo, os recursos do técnico a fim da ilustrar os fundamentos de um possível debate sobre os aspectos técnico e teóricos do processo.
(*) Psicoterapeuta Titular Didacta da SPPB
“Ferenczi e a Co-Transferência”
Góis, G. * e Lau Ribeiro, P. *
Esta comunicação propõe-se reflectir sobre o modo singular do terapeuta para compreender a comunicação humana, que orienta o seu trabalho clínico.
Tomando como referência o Diário Clínico de Ferenczi (1932/2003), emergiram algumas questões:
– Quando o Sujeito não colabora qual a implicação do terapeuta nisso?
– Que papel tem a Autenticidade no próprio dispositivo?
Partindo do conceito de Autenticidade os autores, na tentativa de estabelecer uma ponte entre o plano analítico e o plano existencial, questionam o que será essa Autenticidade (Naturalidade na perspectiva de Ferenczi) no Modelo Integrado, que se constitui como elemento da Co-Transferência, apresentando um caso clínico como uma possível ilustração.
Palavras-Chave: Autenticidade; Comunicação Humana; Dispositivo; Co-Transferência
(*) Psicoterapeutas Titulares Didactas da SPPB
MESA REDONDA “CONTRIBUTOS DE FERENCZI”
“A Actualidade no Modelo Integrado“
Botelho, I. * e Morais, T.*
“Espero que o futuro assista ao início de uma época iatrofilosófica, onde os mais variados domínios do conhecimento, em particular as disciplinas relacionadas com as ciências naturais e as ciências do espírito, actualmente tão distanciadas umas das outras, poderá reencontrar-se na ciência médica, convertida em ponto de convergência de todas elas.”,
Ferenczi, S.
Apresentam-se as contribuições de Ferenczi para as Psicoterapias Breves em geral, e, concretamente no Modelo de Psicoterapia Breve Integrado, que tem vindo a ser desenvolvido na SPPB. As alterações experimentadas e introduzidas pelo autor conduziram a mudanças no trabalho Terapêutico ainda hoje consideradas e actualizadas. Ferenczi preconizou a reformulação do enquadramento analítico. Pela participação activa do Terapeuta, abrevia-se a duração do processo, privilegia-se a relação Terapêutica com o desenvolvimento dos conceitos de transferência e contra transferência, bem como pela importância atribuída ao não verbal. Referimo-nos à duração do processo terapêutico, à preocupação com as necessidades dos clientes, à interacção entre paciente e analista, à necessidade e à procura constante de alterações à técnica, como modo de ultrapassar impasses terapêuticos e tentar responder às necessidades dos pacientes, incluindo aqueles que não reúnem os critérios de indicações formais.
A ressonância do seu trabalho clínico identificamo-la, particularmente no trabalho de intervenção terapêutica que tem vindo a ser desenvolvido pela SPPB, nomeadamente na construção e desenvolvimento da AT, destacando-se o papel da Co-transferência, na Regressão e no Terminar.
Em suma, Ferenczi introduz na clínica um novo nível de trabalho e de estar terapêutico que pertence à esfera do inter-pessoal / inter-humano, que se relacionam com as questões da ética, com implicação nos requisitos do terapeuta como pessoa e na sua formação, tão próprios ao Modelo preconizado pela SPPB.
Palavras-Chave: Participação Activa do Terapeuta, Relação Terapêutica, Linguagem, Duração do Processo, Alterações à Técnica
(*) Psicoterapeutas Titulares Didactas da SPPB
MESA REDONDA “ALTERAÇÕES À TÉCNICA”
“PB – MI – Intervenção em Contexto Institucional”
“O Papel do Modelo Integrado de Psicoterapia Breve num Serviço de Psiquiatria de um Hospital Geral”
Mendes, A.*
A partir da experiência clinica num Serviço de Psiquiatria de um Hospital Geral, apresenta-se uma reflexão sobre a psicoterapia com pessoas com doença mental grave, ilustra-se as dificuldades e problemáticas essenciais destes doentes, à luz da psicoterapia breve – modelo integrado. A referir também a contribuição do modelo para o terapeuta compreender um sintoma como um estilo de ser-no-mundo, no modo que este se dá existencialmente.
(*) Formanda do Curso de Psicoterapeutas da SPPB
“A Aplicabilidade da Psicoterapia Breve Modelo Integrado numa Equipa de Saúde Mental Comunitária”
Vieira, J.*
Pretende-se com esta comunicação reflectir como é possível aplicar o modelo integrado de psicoterapia breve tal como é preconizado pela SPPB numa equipa de Saúde Mental Comunitária de um Hospital Psiquiátrico.
A população atendida sofre na sua grande maioria de psicopatologia nas suas manifestações mais severas o que influencia a aplicabilidade do modelo com implicações a vários níveis. Torna-se pois necessário reenquadrar indicações e contra-indicações, determinar quais as alterações à técnica a executar, quais as diferenças que têm de ser introduzidas no setting e em que medida, no fim de tudo, a intervenção ainda é à luz do nosso modelo.
Acompanha a comunicação uma breve ilustração da casuística referente ao ano de 2009.
(*) Formando do Curso de Psicoterapeutas da SPPB
“Os Contributos do Modelo Breve Integrado num Serviço de Psicologia nos Cuidados de Saúde Primários”
Granja, P.*
Pretende-se reflectir sobre como é possível aplicar o modelo integrado de psicoterapia breve num serviço de psicologia nos cuidados de saúde primários analisando os seus contributos em toda a extensão da intervenção psicológica. Falaremos das especificidades da adaptabilidade da pessoa à doença orgânica, da intervenção ao nível das diferentes crises ao longo do ciclo de vida, e das perturbações ansiosas e depressivas.
Reflectir-se-á sobre as indicações e contra-indicações, o foco, a durabilidade do processo, o contrato terapêutico, o estabelecimento da aliança em contexto institucional e sobretudo sobre a postura terapêutica como elemento essencial para o sucesso terapêutico.
(*) Formanda do Curso de Psicoterapeutas da SPPB
AGRADECIMENTOS
Gostaríamos que o primeiro agradecimento fosse para a Equipa que idealizou e realizou o X Encontro, a Direcção, a Comissão Organizadora, a Comissão Científica e o Secretariado, pelo seu empenho na concretização dos seus objectivos.
Agradecemos também à nossa convidada, a Professora Teresa Pinheiro e a todos os Colegas que apresentaram os seus trabalhos, contribuindo assim para a realização deste Encontro. O seu contributo foi valioso e nesse sentido contamos com a sua participação e de todos aqueles que o desejarem num próximo Encontro.
Um palavra especial de agradecimento a todos os que participaram com a sua presença, sem os quais, os objectivos traçados seriam desprovidos de sentido e como tal inalcançáveis.
Por fim gostaríamos de agradecer à Fundação Calouste Gulbenkian, à Livraria Bisturi e a todos os que connosco contribuíram e participaram neste X Encontro.
“Eis minha subjectividade: percebo a vida como um processo
Bartuci, G.
em transformação, caminho que construímos ao caminharmos.
Percebo-a também como dádiva: tenho aprendido, diariamente,
que ela é frágil e, acima de tudo, finita. Isso faz com que eu
busque respeitá-la, apreciá-la e cuidá-la e, nessa medida,
dedicar-me a ela, vivendo-a como se vive um grande
amor: buscando o prazer máximo do Encontro”
